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Pipo e Fifi é um premiado livro que funciona como uma ferramenta de proteção, explicando às crianças, a partir dos 3 anos de idade, conceitos básicos sobre o corpo, sentimentos, convivência e trocas afetivas. De forma simples e descomplicada, ensina a diferenciar toques de amor de toques abusivos, apontando caminhos para o diálogo e a proteção.  O livro já teve mais de 100 mil cópias distribuídas no Brasil. A autora, Caroline Arcari, já viajou para 4 outros países, realizando projetos de formação e atendimento às crianças


PIPO E FIFI, agora, virou também peça de teatro, pelas habilidosas e sensíveis mãos da Cia Truks, que leva para os palcos uma versão ao mesmo tempo divertida, bem humorada, mas que, de forma muito responsável, alerta e clama por proteção aos pequenos.

 

VOCÊ SABIA QUE DUAS EM CINCO CRIANÇAS, HOJE NO BRASIL, SOFREM ALGUM TIPO DE ABUSO SEXUAL? 

 

Sim, são números alarmantes e urgentes! Você não leu errado, duas em cada cinco crianças são abusadas sexualmente em nosso país. Somos, no que diz respeito ao tema, profundamente “analfabetos”. Crianças são sistematicamente abusadas, na maioria dos casos, por membros da família, sejam pais, padrastos, tios, primos e até mesmo avós, por adultos “amigos” ou próximos da família, e na minoria das vezes, por desconhecidos.

 

O abuso é, na imensa maior parte das vezes, difícil de ser identificado pelos verdadeiros cuidadores, e mais difícil ainda de ser relatado pelas crianças, que ora não estão compreendendo o que está acontecendo, ora compreendem, mas têm medo de revelar os fatos, ora não falam por sentirem-se culpadas, entre tantos outros motivos que as mantêm sofrendo caladas. O resultado, enfim, se expressa nos assombrosos números supracitados, bem como na total impunidade da imensa maioria dos abusadores.

 

É urgente que se façam campanhas sérias, que levem, para todos, informações e ferramentas de proteção. Não podemos mais nos omitir! A omissão, aqui, funciona quase que como a cumplicidade com essa verdadeira barbaridade.

 

Pois bem, a autora, psicóloga e educadora Caroline Arcari criou “PIPO E FIFI”, um premiado livro infantil que funciona exatamente como uma poderosa ferramenta de proteção. O livro explica às crianças, a partir dos três anos de idade, conceitos básicos sobre o corpo, sentimentos, convivência e trocas afetivas. De forma simples e descomplicada, ensina a diferenciar toques de amor de toques abusivos, apontando caminhos para o diálogo e formas de proteção.

 

O trabalho parte do pressuposto de que há um tripé no que diz respeitos aos agentes vinculados ao problema. São eles: o agressor, a vítima e o familiar que vê, ou sabe, mas não pode, não quer, ou teme denunciar.

 

Pois bem, “trabalhar o agressor”, para que deixe de cometer a violência sexual, envolve um grande e complexo projeto nacional de educação que implica em transformações sociais significantes. Há o agressor doente, mas infelizmente também há o agressor chamado de “cultural”, com raízes em um patriarcado machista que “legitima” a violência sexual, posto que o “chefe” da família teria “direitos” sobre os demais integrantes. Mudar esse quadro requer um trabalho sistemático, de longa duração, que pode durar algumas gerações. Deve ser feito, mas não há tempo para esperar. Enquanto isso, centenas de milhares de crianças são abusadas. É necessário, portanto, trabalhar com o “agora”, que pode estar nos outros dois “pés” da relação: a vítima e o familiar que sabe do que está acontecendo.

 

Do ponto de vista das crianças, há uma série de problemas que precisam ser enfrentados, a começar pelo fato de que ela, em sua inocência, levará um tempo para “entender” o que está acontecendo. Há milhares de relatos de jovens, ou adultos, que levaram anos, até mesmo décadas, para poderem compreender que foram vítimas de agressão sexual em suas infâncias. O agressor, em sua maioria, seduz a vítima com inúmeros instrumentos de persuasão, e a faz sentir-se confusa e, invariavelmente, com medo, quando não com culpa. O mais comum, como resultado desse quadro, é que a criança, como foi dito, sinta-se confusa e não entenda, ou então suporte em silêncio o drama que vive. Muitas vezes, até mesmo, chega a achar “normal” o que lhe está acontecendo.

 

Já na terceira ponta estão as pessoas próximas que, por inúmeras razões, sabem do problema, mas acompanham em igual silêncio, por medo da já citada relação patriarcal, muitas vezes violenta, ou por conformismo ou incapacidade de reagir.

 

Foi pensando nos dois últimos, as pontas do problema onde podem existir soluções imediatas, as crianças e seus familiares próximos, bem como educadores, que Caroline Arcari escreveu PIPO E FIFI. O livro, muito leve e até mesmo divertido, apresenta dois monstrinhos muito simpáticos e engraçados, cuja missão é alertar as crianças sobre os abusos. A obra começa com uma bem humorada apresentação do corpo humano e do que são as partes íntimas. Tudo feito com extremo bom gosto. Por exemplo, há um momento em que os monstrinhos apresentam um “Raio-X” do “corpo monstrengo” e revela-se a enorme quantidade de brigadeiros que Pipo comeu no dia anterior. As crianças divertem-se para valer. Está aberto o campo, agora, para a conversa séria. Logo em seguida, Fifi aponta, em um mapa onde se vê um desenho de criança, onde seriam as “partes íntimas” do corpo, aquelas “guardadas na calcinha ou na cueca”. As crianças igualmente se divertem e assimilam o que lhes está sendo dito e mostrado.

 

Em um segundo momento do livro, os monstrinhos tratam de ressaltar que há toques permitidos, aqueles que expressam afeto e carinho. Uma sequência de cenas bonitas, e até mesmo poéticas, mostram uma mãe dançando com sua filha, um pai carinhosamente colocando o seu filho para dormir, um médico examinando respeitosamente uma criança, entre outros momentos. São o que o livro chama de “Toques do Sim”. Logo depois, no entanto, vêm os “Toques do Não”, quando aparecem os abusos: quando um adulto toca as partes íntimas de uma criança, quando faz a criança tocar as suas partes íntimas, quando, por exemplo, a obriga a sentar-se no colo, sem consentimento, entre outras situações.

 

A ideia é fazer com que a criança perceba, veja, entenda o que é errado. Isso, no entanto, é feito de forma descontraída, através da ação de personagens que povoam ludicamente o seu imaginário, portanto, portos seguros. A autora é muito precisa em conquistar a confiança das crianças através dos seus personagens, de forma que elas consigam identificar, entender e expressar os problemas que enfrentam. Não foram poucas as vezes em que, apresentando a peça, nós da Cia Truks ouvimos, ao final, crianças que se aproximaram de nós, a dizer que pessoas faziam com elas os toques do não.

 

Trata-se, enfim, de mecanismo eficiente para esclarecer as crianças. Aquelas que sofrem o abuso certamente compreenderão o que está acontecendo e ganharão forças para reagir.

 

Em um último momento, o livro trata de dizer às crianças, e aos seus familiares silenciosos, o que fazer, e a quem recorrer. Reforça a ferramenta do Disque 100, para que se façam denúncias que podem ser anônimas, explica o que são os Conselhos Tutelares e como recorrer a eles, convoca professores a prestarem mais atenção nas suas crianças. Não somente, indica às crianças que sim, elas podem pedir ajuda dos seus professores.  No livro, a Profa. Sofia recebe, dos monstrinhos, a incumbência de ouvir as suas crianças e ajudá-las a entender e denunciar as agressões.

 

PIPO E FIFI já teve mais de 100 mil cópias distribuídas no Brasil. A autora já viajou para diversos países, realizando projetos de formação profissional e atendimento às crianças. Caroline Arcari, inclusive, participa de forma frequente em programas de TV, quando versa sobre o assunto, tais como Encontro, com Fátima Bernardes, e várias campanhas da TV Futura.

 

A transposição da peça para o teatro foi feita pelas mãos da igualmente premiada CIA TRUKS, um dos mais competentes grupos do teatro para crianças do Brasil, em atividades ininterruptas desde 1990, com mais de 40 menções honrosas, entre prêmios e indicações. O grupo tratou de reproduzir o livro em cena com extrema fidelidade. A Cia foi convidada a participar do projeto não apenas pelo seu talento e importante histórico no cenário das artes cênicas para crianças no Brasil, como sobretudo por fazê-lo com bonecos. Bonecos são instrumentos preciosos na comunicação com os pequenos. São brinquedos, pertencentes ao universo infantil e, portanto, imediatamente aceitos pelas crianças. Costumamos dizer que uma mensagem dita por um adulto “estranho” chegará até a criança “pela metade”. Quando dita por um boneco, chegará em dobro.

 

A Cia Truks teve também o cuidado de fazer um espetáculo de bom gosto, onde os “Toques do Não” não são encenados, mas sim mostrados em painéis que reproduzem as ilustrações do próprio livro. Isso para não apresentar, de forma alguma, qualquer tipo de cena inapropriada para crianças, no teatro. Já nas cenas dos Toques do Sim, pequenas historinhas muito doces são feitas com os simpaticíssimos bonecos do grupo. Enfim, os monstrinhos Pipo e Fifi viraram bonecos encantadores que falam ao coração das crianças.

 

Pipo e Fifi é, portanto, um ato de amor às crianças, um grito pelo fim da violência contra esses seres tão especiais.

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Ficha Técnica do Espetáculo

TEXTO: CAROLINE ARCARI

ADAPTAÇÃO: HENRIQUE SITCHIN

DIREÇÃO: GABRIEL SITCHIN E HENRIQUE SITCHIN

ELENCO: AGUINALDO RODRIGUES, BIANCA MUNIZ, THAÍS ROSSI E DRIELY PALÁCIO